O Sputnik Abalou os Estados Unidos

O bip-bip do Sputnik-1 espalhou terror nos Estados Unidos. Houve a suposição sombria de que, se União Soviética possuía tecnologia para lançar um satélite em órbita da Terra, poderia muito bem lançar uma ogiva nuclear do espaço em questão de minutos, cujos estragos e carnificina eles conheciam bem, depois das duas bombas lançadas sobre o Japão. O pavor coletivo aumentou depois do lançamento um mês depois do Sputnik-2, um bólido com mais de 500 quilos de peso. O então Líder da Maioria no Senado e futuro presidente Lyndon Johnson afirmou que ficara noites sem dormir à espera da próxima passagem do satélite e ouvir o som emitido do espaço.  Espalhou-se o boato que em breve a União Soviética conquistaria a Lua e instalaria um grande refletor de luz vermelha para iluminar as noites com essa cor. “Eu não quero ir dormir à luz de uma lua comunista”, disse o futuro presidente. O sucesso soviético abalou a crença norte-americana em sua superioridade tecnológica e científica, que esperavam ser os primeiros a lançar um satélite em órbita da Terra, colocando em cheque as virtudes do sistema democrático liberal em comparação com a sociedade comunista autoritária. Em resposta, em  dezembro de 1957, três meses depois do Sputnik-1, os Estados Unidos tentaram lançar seu primeiro satélite, uma esfera de 16,3 cm de diâmetro e peso de apenas 1,4 kg, denominado Test Vehicle 3 (TV3). Mas, assim que os propulsores foram acionados, o foguete subiu apenas pouco mais de um metro e afundou na plataforma em meio a uma grande bola de fogo. A empresa Martin Co., principal contratante do projeto, teve suas ações temporariamente suspensa na bolsa de Wall Street. O The New York Times destacou que o ocorrido era “um golpe para o prestígio dos EUA”, que se consideravam líderes mundiais em ciência e tecnologia. Outros jornais preferiram tratar o ocorrido de forma jocosa e chamar o satélite de “Flopnik” (‘flop’ de fracasso e ‘nik’ de Sputnik). Na ONU, um diplomata soviético perguntou se os EUA queriam ajuda destinada a “países subdesenvolvidos”. O próprio Nikita Khrushchov ridicularizou a tecnologia espacial norte-americana, e diise que os EUA não eram capazes colocae uma “laranja” em órbita. Milagrosamente, o mecanismo de ejeção disparou e o satélite foi encontrado no dia seguinte, emitindo o sinal sonoro como se estivesse em órbita. O TV3 está exposto no Smithsonian Air and Space Museum (a tentativa de lançamento pode ser vista no YouTube). Dois meses depois do fracassado do TV3, finalmente os EUA colocaram seu primeiro satélite em órbita. O Explorer-1 pesava 13,9 kg e carregava um detector de raios cósmicos, responsável pela descoberta de faixas de radiação que circundam a Terra, hoje conhecidos como Cinturões de Van Allen. Era a primeira grande descoberta científica feita a partir do espaço e maior contribuição ao Ano Geofísico Internacional.

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