Entusiasmado com o sucesso do Sputhik-1, o premiê soviético Nikita Khrushchov exigiu novo lançamento, ainda mais espetacular. Desta vez para celebrar o 40º aniversário da Revolução Comunista de 1917. Foi decidido o envio de um ser vivo ao espaço pela vez, embora não houvesse tecnologia para trazê-lo de volta. A cadela vira-latas Laika, capturada nas ruas de Moscou, seria o primeiro ser vivo a orbitar a Terra, e seu nome se tornaria sinônimo de exploração política e sacrifício de vida na era espacial. Em três semanas o Sputnik-2 ficou pronto. Tinha a forma de um cone de 4 metros de altura, uma base de 2 m de diâmetro, pesava 508 kg (seis vezes mais pesado que o Sputnik-1) e orbitaria a Terra na incrível altitude de 982 km. A nave possuía um compartimento pressurizado com estoque de oxigênio para 10 dias, dispositivo para ventilação e renovação de ar, e um recipiente automático com uma mistura de nutrientes gelatinosos para Laika. Cirurgiões implantaram em seu corpo sensores e dispositivos para medir temperatura, acompanhar a respiração, medir pressão arterial e realizar cardiogramas. Durante o lançamento, o ritmo dos batimentos cardíacos de Laika triplicou, indicando o alto grau de estresse a que esteve submetida, enquanto o foguete impulsionava a nave para o espaço. Falhas na separação do satélite e o mau funcionamento do sistema de controle térmico fizeram a cápsula esquentar muito, e cerca de seis horas depois do lançamento os sensores registraram a parada cardíaca de Laika, decorrentes de uma combinação de estresse e problemas respiratórios, decorrentes do superaquecimento da cabine. Os soviéticos só declararam que Laika não voltaria à Terra pouco depois do lançamento do foguete. Em abril de 1958, após 162 dias e 2.370 voltas em órbita da Terra, o Sputnik-2 se desintegrou ao reentrar na atmosfera. Hoje em dia, Laika sobrevive em selos, sites na Internet, músicas, broches, vídeos do YouTube, poemas e até em livros infantis. Em 2005, a NASA nomeou de “Laika” uma cratera marciana descoberta pelo Rover Opportunity. Em 2015, foi inaugurado um monumento em bronze de dois metros de altura próximo ao Instituto de Medicina Militar de Moscou, onde ela foi preparada para as experiências científicas no espaço. A base do monumento representa um foguete com seus propulsores, que se transforma em uma mão humana onde Laika se apoia presa a uma coleira. Muitos afirmaram que Nikita Khrushchov só concordou em sacrificar Laika para atender seus interesses políticos, porque nunca conheceu a amizade de um cachorro.
Laika, Viagem Sem Volta ao Espaço

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