Em 1952, a Assembleia Geral das Nações Unidas criou o Ano Geofísico Internacional (IGY na sigla em Inglês), que passaria a vigorar entre julho de 1957 e dezembro de 1958. Então, a ONU conclamou que os países criassem programas científicos para estudar a atmosfera superior e o espaço, por meio de balões, foguetes de sondagens e, se possível, também com satélites. Dois anos depois, o Conselho Internacional de Uniões Científicas (atual Conselho Internacional de Ciência) realizou, em Roma, uma conferência preparatória para as atividades previstas para o IGY. A delegação soviética participou da conferência como observadora, visto que havia deixado passar o prazo final para manifestar interesse em contribuir com algum experimento. Com grande surpresa, os soviéticos ficaram sabendo que os EUA planejavam lançar um satélite em órbita da Terra, como contribuição ao IGY. A informação foi imediatamente repassada ao Politburo em Moscou, que se mobilizou diante da perspectiva de que os EUA colocassem um satélite em órbita da Terra primeiro que a União Soviética. A Academia de Ciências da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas criou uma força-tarefa para fabricar e lançar um satélite antes que os Estados Unidos o fizessem, de modo a sair na frente e ganhar a guerra de propaganda contra o inimigo capitalista. O projeto do satélite recebeu a denominação-código de “Objeto D” (quinta letra do alfabeto cirílico, pois as quatro primeiras já haviam sido atribuídas a projetos secretos de mísseis e ogivas nucleares). Ao tempo em que o satélite estava sendo concebido e fabricado, também era preciso adaptar o míssil balístico intercontinental R-7, como foguete lançador. Os três primeiros testes, entre maio e julho, fracassaram, mas no mês seguinte foi bem sucedido. Finalmente, no dia 4 de outubro de 1957, a agência de notícias TASS divulgou um comunicado: “Cidadãos da União Soviética! Com grande orgulho, anunciamos que a União Soviética lançou com sucesso o primeiro satélite artificial da Terra, chamado Sputnik. Este feito histórico é um novo triunfo da ciência e tecnologia soviéticas e demonstra a superioridade do socialismo sobre o capitalismo. Glória eterna à União Soviética”. O Sputnik-1 era uma esfera de metal polido de 58 cm de diâmetro que pesava 84 kg, completava um giro em torno da Terra a cada 100 minutos, numa órbita elíptica inclinada 65 graus em relação ao Equador, em altitude de 570 km. Durante 22 dias, até que as baterias arriassem, o Sputnik-1 emitiu um bip-bip que podia ser captado por qualquer radio amador, em qualquer local onde estivesse. Começava a Era Espacial, e o mundo nunca mais foi mesmo. Era também o auge da Guerra Fria, e os Estados Unidos se assombraram com a expectativa de uma guerra nuclear a partir do espaço. Afinal, se os soviéticos tinham tecnologia para lançar um bólido como o Sputinik-1, por que também não poderiam levar uma bomba nuclear e lançá-la do espaço? A disputa em terra entre as duas superpotências havia chegado ao espaço, sob o nome de Corrida Espacial.
O Sputnik-1 Inicia a Era Espacial e a Corrida Espacial

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