A Exposição Internacional de Aeronáutica e Espaço (1963)

Entre março e abril de 1963, foi realizada a Exposição Internacional de Aeronáutica e Espaço no Ibirapuera, em São Paulo. Havia se passado exatos dois anos do voo pioneiro do cosmonauta soviético Yuri Alexeievitch Gagarin, a bordo da espaçonave Vostok-1, que o fez herói de todos os povos. Na Exposição, quatorze países exibiram o que tinham de mais moderno nos ramos da astronáutica e dos voos espaciais tripulados. Dos Estados Unidos veio o avião experimental X-15, cujo motor-foguete lhe permitia voar a velocidades hipersônicas superiores a 7.000 km/h. A NASA enviou réplicas, em escala, dos foguetes lançadores Redstone e Atlas, utilizados nas missões Mercury. Também veio a nave Sigma 7, na qual o astronauta Walter Schirra havia realizado, cinco meses antes, o terceiro voo orbital tripulado da NASA que, de tão perfeito, ficou conhecido entre os especialistas como “voo de livro-texto”. O evento contou também com as presenças dos cosmonautas soviéticos Andriyan Nikolayev e Pavel Popovich, que sete meses antes tinham partido do cosmódromo de Baikonur nas naves Vostok-3 e Vostok-4, que voaram paralelas a menos de cinco quilômetros uma da outra, num feito tecnológico sem precedentes. Em paralelo à Exposição, foi realizado o III Simpósio Interamericano de Astronáutica, sob a coordenação da CNAE e da SIB, que contou com cerca de 150 inscritos, sendo a grande maioria de estrangeiros. Coube ao primeiro diretor da CNAE, Aldo Vieira da Rosa, abrir os trabalhos do Simpósio e recepcionar os visitantes. Por sua vez, falando aos jornalistas, o presidente da SIB, Thomaz Pedro Bunn, lembrou que o Simpósio também homenageava o 10º aniversário da entidade científica. As atividades espaciais eram ainda tão recentes, que uma das sessões marcantes dos trabalhos foi a que tratou da “Terminologia Espacial” para “superar as dificuldades nas denominações de fatos; coisas e fenômenos relativos a assuntos espaciais”. O satélite Telstar, que inaugurou a era das comunicações globais no ano anterior, foi usado em um grande momento da Exposição: a transmissão do canto do Uirapuru, como mensagem de paz e fraternidade do Brasil a todos os povos. Diz uma lenda de índios da Amazônia, que ouvir o canto desse raríssimo pássaro da fauna brasileira é sinal de boa sorte.

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