No início dos anos 1960, o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior estava interessado em financiar a construção de uma base de lançamentos de foguetes de sondagens atmosféricas, para estudos da região do equador magnético. Em vista disso, em 1964, a CNAE assinou um memorando de entendimento com a NASA, para desenvolver um projeto de pesquisas de sondagens atmosféricas, que incluía construir uma base de lançamentos de foguetes. Através do COSPAR (Committee on Space Research) a ONU disponibilizou 300 milhões de Cruzeiros (cerca de 15 milhões de dólares em valores da época) para construção da base. Por se localizar em região favorável para pesquisas atmosférica na região do equador magnético, foi escolhida uma área nas proximidades da cidade de NATAL (RN). O nome da área, Barreira do Inferno, foi dado pelos pescadores, que saíam em suas jangadas na madrugada e viam os primeiros raios de sol refletidos nas argilas da grande falésia, como se fossem línguas de fogo. O terreno para abrigar a base, de cerca de 250 hectares, foi doado pelo Sr. Fernando Gomes Pedrosa, que na época morava no Rio de Janeiro e fora “convencido” pelo então governador do Rio Grande do Norte a doar o terreno. Pelo acordo, cabia à CNAE providenciar a base de lançamento e o pessoal a ser treinado, no Wallops Flight Center e no Goddard Space Flight Center nos EUA, na preparação de cargas úteis e nas operações de lançamentos. À NASA cabia, além do treinamento de pessoal, fornecer equipamentos e instrumental técnico necessário para operação da base e, obviamente, participar dos lançamentos e das pesquisas. A CNAE repassou ao então CTA (Centro Técnico da Aeronáutica) a construção da base de lançamentos. Assim que os trabalhos começaram, a CNAE anotou em relatório ao COSPAR: “As construções das instalações estão sendo feitas pela Força Aérea Brasileira seguindo plantas da CNAE”. Em dezembro de 1965, ocorreu o primeiro lançamento de um foguete tipo Nike-Apache, numa operação conjunta que envolveu CNAE, CTA e NASA. Em pouco tempo, Barreira do Inferno se tornou a base mais ativa do mundo em lançamentos de foguetes de sondagens atmosféricas. Mas, como passar do tempo, começaram restrições às atividades da CNAE por parte do GETEPE, órgão do CTA que operava a Base. Em dezembro de 1967, o jornal O Globo noticiou que um documento ainda secreto do Estado Maior das Forças Armadas (EMFA) propunha transformar Barreira do Inferno numa base exclusivamente militar, “incorporando a aparelhagem ultramoderna”, que havia sido fornecida pela NASA. Antes do final daquela década, a Barreira do Inferno foi transformada em base militar exclusiva, de onde passaram a ser lançados os foguetes da série Sonda, que no fundo tinham como meta o desenvolvimento de tecnologia de mísseis.
Base de Lançamentos de Barreira do Inferno

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