Primeiros Anos da CNAE

Apenas dois anos depois de criada, a CNAE perdeu seu primeiro diretor, que foi para a Universidade Stanford. Coube a Fernando de Mendonça (também engenheiro e ex-oficial da Aeronáutica) a tarefa de consolidar o projeto de uma agência espacial para o Brasil. Foi graças a ele, sua inteligência, competência administrativa e visão de futuro, que em poucos anos a CNAE se firmou com agência espacial civil. Ainda em 1963, foi concluída a construção do primeiro prédio em seu campus, o Laboratório de Física Espacial. No fim daquela década, o campus da CNAE já contava mais de 8.000 metros quadrados de área construída, com prédios de linhas modernas e funcionais, laboratórios, uma biblioteca com 5.000 volumes e 190 assinaturas de periódicos internacionais. Em 1968, a CNAE criou o programa PORVIR, que garimpava talentos recém-formados nas universidades brasileiras para, através de um programa de Pós-Graduação em diferentes áreas do conhecimento, formar especialistas e suprir a carência de cientistas nas diferentes áreas de pesquisa em que ela já atuava. Em pouco tempo a CNAE já tinha uma cesta de projetos focados em pesquisa básica nas áreas de Ciências Espaciais (Geofísica Espacial, Aeronomia e Astrofísica). Em 1966 deu início aos estudos de Meteorologia espacial, a partir de estações de recepção de imagens meteorológicas dos satélites norte-americanos das séries GOES, Nimbus e TIROS. Entretanto, o projeto de maior destaque dessa fase inicial foi o resultante de um convênio com a NASA em 1963 para sondagens atmosféricas, que permitiu a construção da Base de Lançamentos da Barreira do Inferno. Pelo acordo, cabia à CNAE construir uma base de lançamento para foguetes de sondagem atmosférica e providenciar pessoal a ser treinado nos EUA, na preparação de cargas úteis e operação de lançamentos. À NASA cabia oferecer treinamento de pessoal e prover equipamentos para fabricação de cargas úteis, além de participar dos lançamentos e das pesquisas. Em dezembro de 1965, a base foi inaugurada com o lançamento de um foguete Nike-Apache, numa operação conjunta envolvendo CNAE, NASA e CTA e logo se tornou um dos mais ativos centros de lançamentos de foguetes de sondagens em todo mundo.

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