Yuri Gagarin no Brasil

Apenas três meses depois de seu pioneiro voo em órbita da Terra, que o tornou herói de todos os povos, o cosmonauta Yuri Gagarin visitou o Brasil. O mundo vivia ao clima da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. O Ilyushin da Aeroflot que o levou para o Rio de Janeiro fez uma parada em Brasília, a nova capital do Brasil, inaugurada um ano antes. No aeroporto, um empurra-empurra entre jornalistas e soldados da Força Aérea Brasileira quase não permite ao chanceler brasileiro dar boas-vindas ao visitante ilustre. Ao chegar no Rio de Janeiro, jatos d’água foram usados para dispersar o povo que foi recepcioná-lo. Um Cadillac esperava Gagarin para levá-lo à mansão de um político costumeiro em hospedar celebridades. Os dias seguintes, porém, foram de paz e Gagarin cumpriu uma ampla agenda. Palestrou na sede do Sindicado dos Metalúrgicos e conversou com estudantes na sede da UNE (União Nacional dos Estudantes), onde carregou no colo Iuri Gagarin da Silva, de três meses de idade. Na Associação Brasileira de Imprensa, afirmou que não teria coragem de ir ao espaço em uma nave norte-americana. Em São Paulo, falou para cerca de três mil pessoas no Ginásio do Ibirapuera, onde recebeu a medalha de “Bandeirante do Cosmos”. Mas a homenagem principal estava reservada para Brasília, onde foi condecorado com a Ordem do Mérito Aeronáutico, pelo presidente Jânio Quadros. “Vossa Excelência abriu novos horizontes para o progresso da ciência e da tecnologia, a bem das gerações futuras”, disse o presidente brasileiro. Aproveitando a ocasião, ele assinou o decreto que criava a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE), uma Agência Espacial civil para o Brasil.

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